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"Morro Velho" - Milton Nascimento e Fernando Brant

Hoje é aniversário desse carioca mais mineiro que existe, nosso grande MILTON NASCIMENTO. Foi morar com a família em 3 Pontas (MG) com um ano e meio DE IDADE. Em 1955 participou de um conjunto, como crooner, ao lado do também hoje famoso Wagner Tiso, fundando com ele, mais tarde, o conjunto Luar de Prata. Mudou-se em 63 para BH, conhecendo Fernando Brant, e os irmãos Borges, Marilton, Marcio e Lô, trabalhando como contador e tocando contrabaixo nas noites. Com essa turma compôs inúmeras canções, e criou o famoso movimento "Clube da Esquina" também tendo como membros, além dos já citados, Toninho Horta, Beto Guedes, Tulio Mourão, Ronaldo Bastos e Wagner Tiso, entre outros, na maioria músicos mineiros. Esse Movimento ficou conhecido principalmente  em 1972, depois do lançamento do LP "Clube da Esquina", liderado por Milton Nascimento e Lô Borges.  O nome do movimento surgiu em função da esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte, que servia como ponto de encontro dos músicos mineiros.

 

"MORRO VELHO":

Uma verdadeira pérola da música regional composta por MILTON NASCIMENTO E FERNANDO BRANT, que conta a história de uma amizade infantil na vida no campo, entre o filho do dono das terras e o filho de um dos empregados, que tiveram que se afastar, por conta das circunstâncias da vida. Interpretada com maestria por Milton e também por Elis, uma canção triste e bela ao mesmo tempo:

No sertão da minha terra, fazenda é o camarada que ao chão se deu

Fez a obrigação com força, parece até que tudo aquilo ali é seu

Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer

Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada

Filho do branco e do preto, correndo pela estrada atrás de passarinho

Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos, sempre pequeninos

Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha, dá pro fundo ver

Orgulhoso camarada, conta histórias prá moçada

Filho do senhor vai embora, tempo de estudos na cidade grande

Parte, tem os olhos tristes, deixando o companheiro na estação distante

Não esqueça, amigo, eu vou voltar, some longe o trenzinho ao deus-dará

Quando volta já é outro, trouxe até sinhá mocinha prá apresentar

Linda como a luz da lua que em lugar nenhum rebrilha como lá

Já tem nome de doutor, e agora na fazenda é quem vai mandar

E seu velho camarada, já não brinca, mas trabalha.