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CANTO E CONTOS DO CHICO:

(Após, mais uma música do Chico: "Meio Mastro" de Chico Lessa e Tina Tironi interpretado por Andréa Ramos.

http://sayitaduran.com/online-help-writing-history-essay/ Do lindo Cd "Andréa Ramos canta Chico Lessa"
Bruno Mangueira - Arranjo e violão
Pedro Alcântara - Teclado e sanfona
Eliel Moura - Contrabaixo
Robertinho Silva - Bateria

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Chico Lessa

go go here HISTÓRIAS DO ALCYR (II)

Depois de uns meses nos revezando a cada meia hora, certa noite o Alcyr chegou mais empolgado do que o costume. Havia fechado com a gerência do hotel uma noite exclusiva na qual ele receberia amigos e parentes pra comemorar um ano de casa, já que adorava o que fazia. Ele me apresentava aos conhecidos que frequentavam a “boite”, carinhosamente, como “meu parceirinho capixaba” e o diminutivo fazia jus à minha idade, então a metade da sua. Aquilo me deixava lisonjeado e avalizava minha insistência na música.

source link Na vida, muitas vezes me perguntei se não estava sendo pretensioso ao me apresentar como músico e compositor popular .Minha dispersão nunca permitiu que eu tivesse a disciplina necessária ao bom desempenho do instrumento e isso sempre me deixava inseguro. Por fim, afagos, como um comentário de Luiz Tadeu Teixeira, Murilo Antunes ou Zé Renato Moraes, sempre foram lenha na fogueira da continuação e cá ainda estou.

Sempre gostei de bossa nova. Na adolescência, quando ela chegou a Vitória, eu frequentava os arrasta-pés da Fafi ou da Faculdade de odontologia, ao som das vitrolas do Golias. Também era praxe frequentar os salões do Alvares Cabral, na Praça Costa Pereira. Às vezes, por conta de não perder a última música da domingueira que terminava à meia-noite, eu perdia o último ônibus que saía no mesmo horário e, com isso, tinha que caminhar sozinho até minha casa, distante uns seis quilômetros, já que era o único que morava pelas bandas da Praia de Santa Helena. E tudo isso, ao som do Conjunto do Helio Mendes, uma verdadeira constelação de bons músicos, na qual se incluía o saudoso Maurício de Oliveira, meu primeiro mestre na arte do violão. Ele também comandava o trio vaga-lume nas noitadas do Praia Tênis Clube, onde a bossa ganhava ares oficiais, através de frequentadores como Cariê Lindenberg, nossa querida cantora Maysa Monjardim e Roberto Menescal, entre outros.

Com a festa programada, Alcyr solicitou minha ajuda na organização e, como precisava receber os convidados, fiquei incumbido de tocar enquanto chegavam. Isso me valeu um momento inesquecível que guardo na caixinha de joias da memória. Às oito horas, a casa já estava cheia quando um murmurinho foi notado, enquanto os olhares se dirigiam à porta de entrada. Em seguida, todos aplaudiram, entusiasticamente, a chegada do Braguinha. Eles não se viam há algum tempo. Abraços, fotos, sorrisos etc. E nuvens, onde eu estava.

Não se passaram dez minutos e eis que adentra, também muito aclamada, uma senhora aparentando um setenta anos, numa elegância ímpar. O Alcyr estava a uns três passos de mim, quando ela o abraçou, carinhosa e efusiva, como fazem os amigos perenes. Nesse momento, eu estava sentado no famoso banquinho e tocava e cantava “O Pato”, todo prosa! E aí, aconteceu um momento mágico pra mim. Ela olhou em minha direção e caminhou com os braços abertos do abraço, e por conta do som e da luz difusa, exclamou com muita alegria –“ Joãozinho, Joãozinho, há quanto tempo”! O Alcyr então a interpelou dizendo- “Não , Carolina, não é o nosso João e sim o Chiquinho, meu novo parceiro. Ele é lá do Espírito Santo e é talentoso também”. Ela me deu um beijo caloroso e se desculpou por ter me confundido com o João Gilberto.

Foi demais pra mim! Era a Carolina Cardoso de Menezes, pianista das boas e famosa, que eu não cansava de ouvir nas manhãs da minha infância, com o rádio sintonizado na Nacional AM, onde ela se apresentava num programa exclusivo, de quinze minutos, às dez e meia. Através de suas apresentações, conheci Villa Lobos, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, entre outros. Logo após, atendendo a pedidos, ela me surpreendeu mais uma vez. Sentada ao piano, mandou bala nuns “stands” do jazz, improvisando toda modernosa. Como diria Marcio Borges, “os sonhos não envelhecem”. Só nos aquecem por toda vida. Nunca mais a vi.