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Histórias do Mestre Menescal

Por: Danilo Martins.

 

Tive certa vez  a oportunidade de sentar à mesma mesa do  nosso famoso Roberto Menescal. Não para tomar os drinques que embalavam toda aquela gente da Bossa Nova, mas para o  nobre prazer de saborear a moqueca capixaba.

Ele contou histórias da nossa música no Japão, dos parceiros, de composições e de vários outros personagens desse estilo que ganhou o mundo.

Como bom produtor que é, interessei-me  pelas curiosidades do universo da produção, ousando alguns comentários e palpites.

Menescal falou um pouco das releituras que os americanos fazem, ano após ano, dos clássicos do jazz e de outros estilos também, ao contrário de nós, que, às vezes, nos descuidamos de dar roupagem nova às  melhores obras musicais brasileiras.

Muito amigo de Nara Leão, ele  contou uma história de uma passagem por Belo Horizonte, onde tinha um meio amigo, meio guru, a quem, entre um torresminho com  nacos de feijão tropeiro, perguntara sobre o que seria do futuro da música brasileira.

Surpreso, ouviu que o futuro da nossa música seria a repetição, porque o que tinha que ser criado já  o tinha sido feito.

De volta ao Rio, com essa afirmação martelando sua cabeça, pensando em novos arranjos para sucessos da MPB, Menescal conta que teve o estalo que fez nascer a série Aquarela Brasileira.

Emilio Santiago, recém-despedido pela gravadora, por conta do fracasso de vendas do seu primeiro disco, foi cogitado de imediato para o projeto. Recusou o convite , inicialmente, mas pediu  uma semana para pensar. Temia que sua carreira ficasse marcada como a de um cantor de regravações.

- Você só tem até amanhã para decidir. Caso contrário, chamarei o outro, disse Menescal.

-Outro quem?

-Não posso dizer.

Dois dias depois, Emilio Santiago gravou um disco inteiro em um só dia.

Foi o primeiro da série que lhe deu fama e a oportunidade de o Brasil inteiro conhecer aquela voz brilhante.

Menescal lembrou que Johnny Mathis fez sucesso no mundo inteiro regravando grandes sucessos da música americana e que, enquanto vivo, nunca deixou de ser convidado para cantar na Casa Branca, na posse dos presidentes americanos.