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A MÚSICA E SUAS HISTÓRIAS:

 POR:  DANILO MARTINS

 

GUARABYRA      

Barra do Rio Grande na Bahia, entre o Rio Grande e o São Francisco. Foi nesta  cidade  que nasceu Guarabyra. Lá, ele ouvia Luiz Gonzaga e outras joias da música nordestina. Certa noite, já no Rio de Janeiro,  depois que seu amigo Sidney Miller - autor, entre outras, de A Estrada e o Violeiro - lhe mostrou uma composição com elementos das músicas de roda nordestinas, foi pra casa e compôs Margarida.

Inscrita e classificada no II Festival Internacional da Canção da Globo, em 1967,  achando-se um péssimo cantor, Guarabyra pediu a vários intérpretes que a defendesse, mas não conseguiu ninguém que topasse a empreitada.

Bateu até na porta de Aguinaldo Timóteo, que lhe esnobou. Então, juntou-se ao Grupo Manifesto, cantou e ganhou o festival, no qual Milton Nascimento classificou-se  em segundo lugar, com Travessia, e Chico Buarque  arrebatou o terceiro, com Carolina.

Já conhecido no mundo da música,  por volta das 3 e meia de uma certa madrugada, Guarabyra é acordado em casa por Danilo Caymmi e Renato Correa, dos Golden Boys. Eles já haviam tomado todas e resolveram passar por lá para mostrar uma música que tinham começado a compor, mas não conseguiam finalizar.

  - Só você pode terminar essa música.

No dia seguinte, Casaco Marron estava pronta.

Anos depois, em São Paulo, Guarabyra inverte os papéis. Morava na Vila Madalena e, numa noite muito fria, depois de deliciar-se nos vários bares daquele boêmio bairro, ia para casa, a pé, sabe-se lá Deus como, quando resolveu pedir abrigo a Flávio Venturini, quase seu vizinho.

Já no calor da sala, pergunta para o amigo se este tinha “alguma coisa nova” para mostrar. Flávio mostrou-lhe uma  melodia recém-composta e foi dormir, deixando o inesperado visitante  derramado no sofá.

Guarabyra pegou lápis e papel, rabiscou uma letra e, tempos depois, foi embora,  talvez já curado do seu porre.

No dia seguinte, Flávio liga para o amigo e agradece pelos versos de Espanhola.

 - Não me lembro de nada, mas se você esta dizendo... então somos parceiros, disse Guarabyra.

“Te amo espanhola, te amo espanhola, se for chorar, te amo”...