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A MÚSICA E SUAS HISTÓRIAS:

 

JOÃO DO VALE

Por Danilo  Martins

A música sem sua história não é uma peça completa. Desde a ficha técnica, que acompanha os discos, até a inspiração do compositor, tudo desperta a curiosidade dos  fãs e, na maioria das vezes, enriquece a obra.

JOÃO DO VALE, autor da conhecida Carcará, juntamente com José Cândido, tinha muita história para contar. Os dois parceiros tiveram uma música gravada por Tom Jobim, que, assim como João, gostava do mato, dos bichos e da natureza. Pé do Lajeiro é assim. Mato, onça e natureza. “É no pé do lajeiro aonde a onça mora”...

Mas o relato que segue está ligado à parceria dele com o grande Luiz Vieira, em Estrela Miúda (“estrela miúda que alumeia o mar...”), que foi regravada por Maria Bethania e virou trilha sonora da novela “Cordel Encantado”.

A música foi originalmente gravada por Marlene, que rivalizava na época com Emilinha, e foi um sucesso no rádio.

João, já no Rio de Janeiro, embora com o sucesso, ainda dava duro trabalhando no subúrbio. Era ajudante de pedreiro.

Trabalhava em uma obra, que tinha uma vizinha que repetia na vitrola, inúmeras vezes, o sucesso do momento.

Entre um balde e outro de massa, João do Vale perguntou para o pedreiro, seu chefe:

-Conhece essa música?

-Conheço.

-Sabe quem é o autor? Sou eu.

-Deixa de conversa neguinho, bota a massa aí!

João deixou, massa, balde, cimento e pedreiro, tudo para trás, e nunca mais trabalhou como ajudante.

Ganhava 1 conto e 200. Quando recebeu o primeiro pagamento de direitos autorais, embolsou 15 contos de réis e depois compôs O Canto da Ema, com Ayres Viana e Alventino Cavalcante, Pisa na Fulô, em parceria com Ernesto Pires e Silveira Junior, Carcará,  entre outras.

Perdemos um ajudante de pedreiro, mas ganhamos um grande compositor.